Um ano das jornadas de junho

mov. passe livre

 

 

 

 

 

 

 

Há um ano, olhos cegos para o futuro saíram à rua com vinagre na mochila.

A polícia olha, deixa arrastar a cidade nos pés. Apenas um pequeno desespero como se a pessoa estivesse encurralada num beco. 68? Diretas já? “Impeachment” do Collor? Parada “gay”?  Marcha para Jesus? Torcida radical em dia de final? Vadias? Cadê o chefe, o líder, o símbolo, o hino oficial?

Queremos ser informados: prende primeiro os jornalistas e depois mete bala de borracha? Dispersa e protege o patrimônio, é compromisso do governo.

Vieram os muitos cavalos e rasgaram por primeiro o cartaz que rabiscava importante declaração: VIVEMOS NA DITADURA DA IGNORÂNCIA.

Tinha outro: NA FAVELA, A DITADURA MILITAR NÃO ACABOU. Este ficou inteiro até ser enrolado para o dia seguinte.

Outro sujou de vez: NÃO VAI TER COPA. Fotografaram. E não foi jornalista.

Vem, aqui, seu policial, chega aqui, seu policial, o senhor vai me bater, seu policial? Eu tô calmo. Tô protestando no meu direito. Tô calmo.

Puta que pariu, agora é pra deixar passar toda esta gente na rua? Meu, como evitar violência sem porrada? Manda avisar na televisão prá ninguém sair na rua, manda avisar na mídia que é baderna, que a polícia tá prendendo e jogando gás, mas a polícia tá é perdendo o controle, que a polícia num tá entendendo, tem até evangélico protestando sem parar, é passe livre, é educação, saúde, médico, é sem terra, tá parecendo a época de arrastão lá no Rio de Janeiro. Mas num é. É uma coisa nova, ninguém sabe explicar se é comunista ou o que deu pra tanto elemento vir pras ruas.

E a cidade gritou: baderna é o que o corrupto faz com o nosso dinheiro; vândalo é o deputado em época de eleição; violência é a polícia do governo. País rico é país sem ricos; lugar tranquilo não é lugar cheio de segurança é lugar sem violência; nós queremos escola pública para todas as crianças, ricas e pobres; bom mesmo é transporte coletivo e não mais carro entupindo a rua; saúde padrão FIFA.

Foram 300 mil em mais ou menos uma semana. As elites brancas ficaram inseguras e sem saber se iam junto ou não.

Ninguém sabe o que vai suceder, nem quem organiza ou desorganiza o movimento; não se sabe sequer o nome desta comunidade e seu baú de faltas. Comunidade sem nome, sem teto, sem terra, sem líder, sem UPP, sem papéis, sem ideologia, sem passado, sem nem.

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