Coletânea traz artigos sobre os vínculos entre religião e poder

PODER E RELIGIOSIDADE: O ESPAÇO DO SAGRADO NO SÉCULO XXI

de Euclides Marchi e Marion Brepohl. Curitiba: Editora da UFPR, 2015

 

Quando este livro foi preparado, já tínhamos – Euclides Marchi e eu – em mente a necessidade de dotar de visibilidade este tema, principalmente quando temos em vista os acontecimentos relativos aos movimentos extremistas islâmicos, que se valem do discurso religioso para suas ações, mas principalmente, para atrair adeptos à sua causa.

O livro foi lançado justamente na semana em que o Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos ataques à cidade de Paris.

O tema da religião se torna notícia, e o pesquisador se debruça sobre ele. Quais encaminhamentos podem ser sugeridos? Qual o peso destes estudos?

Pouco a pouco e cada vez mais, o território da religião deixa de ser uma pequena província das Ciências Humanas. A percepção de que o sagrado interfere em diversos momentos e de diferentes maneiras na vida pública, mesmo em sociedades ditas secularizadas, tem despertado os estudiosos a criar e a renovar seus métodos e abordagens: movimentos religiosos que ultrapassam a institucionalização das manifestações da fé e envolvem outros fatores de ordem cultural, psíquica, mítica e simbólica, mídia eclesiástica, religião e gênero, espacialidades são questões, entre outras, que renovam, inclusive, os próprios estudos de religião.

A atenção que o tema evoca não se compreende apenas como fruto de um exercício acadêmico; reflete a constatação de que o retorno ao sagrado, seja nas formas tradicionais ou inovadoras, tem causado impactos de desconcertantes proporções: os inusitados conflitos diplomáticos auto-definidos como a guerra entre o Bem e o Mal; o questionamento dos valores seculares enquanto tais – (uma nova ressacralização da vida pública?), a rotinização cibernética da fé e dos ritos nos performáticos meios de comunicação social.

Este livro tem a ambição de provocar estes e outros debates. Reúne estudiosos de áreas distintas que procuram aceitar o desafio proposto por Paul Freston, para quem “um reexame da teologia política rende alguns insights sociológicos, mesmo que se tenha de ser cautelosos na aplicação desses insights, não indo de um contextualismo desproporcional para o extremo oposto, que seria um essencialismo desproporcional”.

E os reúne levando em conta as implicações de um vínculo que parece ser constante e inevitável, qual seja, da religião com o poder. Curioso mistério, pois se a paz é sempre a promessa mais elevada de todas as crenças, é, aliás, o que fascina os homens e as mulheres à divindade, por outro lado, como nos lembra neste livro Leonildo Silveira Campos, “ao se pensar na longa e obscura história do homem, descobre-se que foram cometidos mais crimes hediondos em nome da obediência do que jamais foram cometidos em nome da rebelião.”

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