Cultura não é serviço essencial?

 

De novo, uma oportunidade para reflexão. Fecha-se o Ministério da Cultura em nome da necessidade de cortes orçamentários, muitos celebram sem nem saber o quão pouco isto significa, acusando os que protestam de agir em defesa própria.

Aos que consideram que cultura pode esperar, que cultura não é essencial, que temos de fazer cortes porque falta dinheiro no posto de saúde, estas pessoas poderiam levar em conta o valor estratégico da cultura também neste campo, ou seja, na esfera do social.

Quando trabalhei no Instituto Ayrton Senna em 1995, apoiamos alguns projetos que incentivavam a cultura e um deles me despertou especial carinho: criar escola de balé com meninas em situação de risco, ou seja, meninas pobres que, no período em que não estavam na sala de aula, não tinham com quem ficar nem poder aquisitivo para fazer outra coisa senão brincar na rua.

Este projeto foi muito replicado e eu não me canso de lembrar do rostinho das crianças: elas se sentiam valorizadas com aqueles trajes, aquele penteado, o olhar confiante da professora, gostavam de estar juntas, enfim, o processo era muito criativo, impressionava-me a capacidade da professora de despertar o interesse nas crianças.

Para além destas vantagens, é importante lembrar que, dentre os direitos a termos direitos, uns do que se sinalizam com muita relevância é o direito ao acesso aos bens culturais (a visita a museus, a educação histórica, o direito à memória que se guarda em arquivos, a educação artística, a frequência ao teatro etc). São bens de cidadania cujo acesso é educativo e dele depende também o processo de formação de opinião e juízo político, como nos ensinou Immanuel Kant.

E por último, os bens culturais geram emprego, geram renda, incentivam o turismo, ajudam a vender produtos. Produtos como livros, comidas em restaurantes onde se apresentam espetáculos, filmes de cinema, televisão.

Ultimamente se tem adotado o termo “ economia criativa “ para tais iniciativas.

Segundo o autor inglês John Howkins trata-se de um conjunto de atividades em que a criatividade e o capital intelectual são a matéria-prima para a criação, produção e distribuição de bens e serviços.

Na Prefeitura Municipal de Curitiba temos projetos desta natureza coordenados por Gina Paladino da Agência Curitiba. Em nível federal, quem estava lidando com esta área no MINC era Claudia Leitão, com projetos inovadores de interesse não apenas para a cultura (como se isto fosse pouco) mas também para a economia. Tomara que isto não sofra solução de continuidade, pois nosso país tem uma riqueza muito grande na área cultural, nossa música é genial, de gênios mesmo. E a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!

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Comentários:

  1. Jailton disse:

    Mas o que a gente quer já não vale muito mais, infelizmente.

  2. Marion Brepohl disse:

    não sei se fiquei tão contente com a re – criação do MINC, pois aposto que não dotarão orçamento, será apenas uma forma de acalmar artistas de notória reputação. Mas penso que esta demonstração de fraqueza – recuar sem planejamento algum – fragiliza o presidente interino, algo que não é irrelevante no momwnto

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