A liberdade dos artesãos

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Num cruzamento impiedosamente congestionado, em um bairro que rapidamente perde seus locais de memória, veem-se o posto “Esso” com suas cores sempre as mesmas, uma franquia de sorvete, uma loja de 1,99, três farmácias cujo dono talvez seja o mesmo ou só se diferenciem neste ou naquele preço, a sub-sede de uma igreja neopentecostal, um ponto de ônibus com filas enormes, uma lanhouse, muito trânsito e poucas pessoas andando.

A gente quase se descuida de olhar esta loja da fotografia, a contrariar toda a paisagem urbana que a circunda: tudo ali é feito com a inteligência tátil do artesão. É pequena, arrumada, despretensiosa, com o nome escrito à mão, e desenhos dos produtos fim. O “Pronto Socorro das Panelas” é um lugar em que as pessoas falam com o dono e conhecem suas habilidades. Um estabelecimento que se desvia da nova arte do descarte de tudo por um novo. O planeta agradece.

Comentários:

  1. Samuel Medeiros disse:

    Muito bom seu texto sobre o “Pronto Socorro das Panelas”. Por que não estendeu mais a ideia? Saudades de você. Abraços.

  2. Marion Brepohl disse:

    saudade imensa, amigão
    não só vou estender, como criar uma sessão com o tema que encerra este tipo de comentário
    fale sobre, se quiser, dos outros da série PENSAMENTOS LIGEIROS
    A ideia é tratar de assuntos que interessam ao mundo contemporâneo de forma a relacionar História/Memória/Ficção. Um novo jeito de escrever da minha parte
    De resto, visite-me, também como pessoa e no meu endereço – casa – onde moro, cozinho, lavo e passo roupa – de vez em quando isso existe, sabia?- ou seja, sem ser virtualmente bom saber de vc

  3. Cecilia Yojo disse:

    Já gostei do seu site Marion! Parabéns pela iniciativa e pelo olhar atento (A liberdade dos artesãos).

  4. Denise Mazocco disse:

    Que belo olhar, professora! Sei que se tratam de pensamentos ligeiros, mas acho que caberiam mais umas linhas para a memória, o que semioticamente acompanha a panela, o concerto, o conserto, o artesão.

  5. Jailton disse:

    Uma atenção “benjaminiana”, embora a loja não seja em Paris. Muito bom o texto!

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