Eichmann em Jerusalém: 50 anos depois: Livro rememora um crime e a memória de um crime

Em 1960, Karl Adolf Eichmann, responsável pela logística do extermínio de milhões de pessoas durante o nazismo,  em particular os judeus,  foi levado da Argentina, onde estava refugiado, para Israel, acontecimento de grande impacto político, jurídico e midiático. Ali seria julgado e condenado por ter sido o executor-chefe dos assassinatos em massa perpetrados em diversos campos de concentração.

Dentre tantos jornalistas e outros interessados em assistir ao julgamento, esteve presente a filósofa política Hannah Arendt, incumbida pelo jornal New Yorker de comentar o processo. Suas anotações e observações foram publicadas como livro, já em 1963.

Eichmann em Jerusalém; um relato sobre a banalidade do mal foi o livro mais polêmico da filósofa, momento em que, de forma corajosa, colocou-se o desafio de julgar o julgamento. Nestes escritos, Arendt procurou compreender, sobretudo, a mente de um homem comum que, devido à indiferença como sentimento moral, não se sentia responsável pelo que fazia; cumpria ordens, argumentava reiteradamente, ao longo de todo o processo. Nada tinha contra as vítimas, confessava. Era mais uma peça da engrenagem, ressaltava a defesa. E quanto mais banais pareciam suas motivações, mais monstruosos soavam seus atos.

A presença de testemunhas que sobreviveram aos campos de concentração, a enorme cobertura midiática do julgamento e a interferência de Arendt, que exerceu ali o papel de observadora da “história”, de testemunha privilegiada do totalitarismo e de pensadora engajada constelam um marco singular para a própria escrita da História e a reflexão política: como julgar um fato que, quase em tempo real, estava sendo transformado em espetáculo? Como aquilatar a responsabilidade individual em regimes de exceção?

Esta coletânea, que integra a coleção DIREITOS HUMANOS da Editora da UFPR  é fruto do encontro de alguns estudiosos dedicados a pensar estes dois acontecimentos: o processo e o livro. Os autores se propuseram a pensar o acontecimento como produtor de imagens, de sentimentos e de novas sensibilidades diante dos fatos e do ato de lembrá-los.

Procurou-se, no conjunto, aceitar o desafio proposto pela própria autora: compreender.

 

Expediente: Eichmann em Jerusalém: 50 anos depois

Organizadora: Marion Brepohl

Editora da UFPR

http://www.editora.ufpr.br/portal/

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Comentários:

  1. Renato Carneiro Jr. disse:

    Parabéns, Marion, pela coletânea. Como faço pra adquirir o meu exemplar. Beijos, Renato

  2. Maria Marta disse:

    Excelente texto! Hannah Arendt foi muito corajosa. Uma mulher, judia, filósofa, que foi duramente criticada por seus colegas e judeus… Mas ela foi bem clara, em seu relato sobre a banalidade do mal, que os seres que não pensam e não são humanos são capazes de cometer atrocidades terríveis, em cumprimento de ordens.

  3. Marion Brepohl disse:

    acho admirável a sua inteligência, mas penso sobre você algo mais: Kant disse, uma vez, o Direito não é justiça, é a chance de fazer justiça
    e uma vez disse a minha filha maite brepohl cruz: faça-a grande
    você é grande apesar de jovem… ou será por isso mesmo?

  4. Marion Brepohl disse:

    o seu elogio não vale,embora me envaideça; amigo, colega, meu chefe no Museu paranaense e ainda mais: casado com cintia e leitor assíduo de Hannah Arendt
    grata por compartilhar o mundo em que vocês estão lá – áí – ou aqui?

    o livro está nas livrarias da editora da UFPR ou no site da editora, por reembolso postal

    http://www.editora.ufpr.br/portal/

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