Lançamento de livros no Museu Paranaense

O Museu Paranaense e o Grupo Direitos Humanos e Política de Memória (DIHPOM) lançarão cinco livros no dia 19 de dezembro de 2017, data que também comemora a emancipação política do estado do Paraná.

São livros disponibilizados na página eletrônica do próprio Museu: (endereço: http://www.museuparanaense.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=204) .

Nestes livros, seus autores narram acontecimentos e personagens que compuseram capítulos de uma história compartilhada, cujo cenário é o estado, embora não seja a história do estado como um todo. São múltiplos olhares com que se pode ler a história, e, de modo igual, como a história pode ser entendida em sua diversidade; de visões de mundo, ações, sentimentos, ideias. Histórias que até podem ter um começo, mas que não se acabam, porque interferem em outra e mais outra.

É o caso de Antonio Rocha, de Paranaguá, personagem principal do livro Entre sapatos e livros, de Thiago Possiede. Ele foi um sapateiro que se engajou nas lutas políticas e atravessou os continentes, sem nunca ter saído de casa, através de sua imaginação, por meio da leitura do seu extraordinário acervo particular de livros, onde é possível encontrar tanto os clássicos da literatura brasileira, como os clássicos da literatura russa, passando pela Filosofia, Economia, História. Tornou-se inclusive, “orientador” dos alunos da cidade, que vinham se aconselhar com ele para realizar seus trabalhos da faculdade.

Paixão por uma causa, obediência, disciplina, rivalidades pessoais são apresentadas por Claudia Monteiro em seu livro Política entre razão e sentimentos: A militância dos comunistas no Paraná. (1945-1947); com apenas dois anos de existência legal, o Partido Comunista, ao contrário do que cogita nosso senso comum, foi muito atuante no estado e poderia ser lembrado apenas pelas suas práticas políticas ideologia. Não é este o caminho percorrido pela autora. O que procura demonstrar são as motivações compartilhadas pelos membros do partido, tecendo uma trama muito original sobre os sentimentos de pertença a um grupo que se auto-define como responsável por uma grande causa, a revolução.

Hitler não morreu! Esta frase sintetiza um mito quase mundial, e data do final da Segunda Guerra, tendo sido reeditado em diversos momentos e lugares. E se Hitler não apenas está vivo, mas ainda por cima mora perto de nós?

De acordo com esta fantasmagoria, descrita por Marcos Meinerz no livro O imaginário da formação do IV Reich na América Latina após a Segunda Guerra Mundial. (1960-70), Hitler e seus asseclas estariam conspirando para formar um hipotético IV Reich. Nesse empreendimento, os descendentes e imigrantes alemães teriam um papel destacado ajudando os nazistas. O fato de várias pessoas envolvidas com o nazismo – como Adolf Eichmann e Josef Mengele – terem escapado do tribunal de Nuremberg e se refugiado em terras latino-americanas, deu o mote para a aparição surpreendentes versões sobre suas pretensas atividades secretas com vista à reorganização do partido nazista no continente. Uma das regiões aventadas foi, inclusive, a pacata cidade de Marechal Candido Rondon, no Paraná.

O Macabeu e Vulnerabilidade, resiliência e cultura, respectivamente, de Michel Ehrlich e Jurandir de Souza, são livros que contribuem para o conhecimento de um dos aspectos mais importantes para a formação do estado: a imigração. Mas também eles escapam da historiografia consagrada como tradicional. Dizem respeito à migração judaica e africana.

O livro de Ehrlich trata de um pequeno grupo composto por indivíduos que foram, direta ou indiretamente vítima do anti-semitismo. A documentação a partir da qual o autor reconstrói sua trajetória já é em si muito original; ele vasculha as motivações de migrar e a elaboração de sua identidade a partir de uma revista de circulação interna da comunidade judaica, – O Macabeu, cujo objetivo era auxiliar seus membros na lida com o cotidiano em seu “Novo Mundo”, ao mesmo tempo em que insistia, em seus editoriais, na preservação de sua identidade de origem; para os membros da comunidade, permanecer judeu ou judia nesta terra que tão bem os acolheu, era mais do que ser fiel a uma cultura; significava proteger-se contra as ameaças externas, como lhes ensinou a dura experiência da Segunda Guerra.

Outra leva migratória, pouco mencionada é fruto de diversas migrações forçadas de populações do continente africano para o Brasil. Aqui eles chegaram e não obstante (ou por causa) da violência de que foram vítimas, muitos deles refugiaram-se em diversas regiões, quase sempre isoladas, sobrevivendo às custas de seu trabalho e de sua solidariedade. Desta experiência, surgiram as comunidades quilombolas que, desde 1988 reivindicam seu direito à propriedade e ao reconhecimento. Ao desenvolver este tema, Jurandir Souza dota de visibilidade uma comunidade que também compõe a identidade paranaense, enriquecendo-a com seu exemplo de coragem e determinação.

Cinco livros, cinco histórias, cinco motivos para você visitar e conhecer o Museu Paranaense.

 

 

 

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