Imaginação Literária e Política: Os Alemães e o Imperialismo, por Stella Bresciani

Em Imaginação Literária e política: os alemães e o imperialismo, a historiadora Marion Brepohl trata de uma questão complexa e sensível: a complementaridade entre formas de produção cultural – textos literários e filmes, no caso – na formação de ideários e comportamentos coletivos.

É instigante sua sugestão de que nem sempre as produções para propaganda política explícita seriam as formas mais persuasivas para penetrar no foro íntimo e configurar identificações pessoais com personagens e seus desígnios.

RESENHA

Nesse livro, Marion Brepohl apresenta um estudo sobre o Imperialismo Alemão (1880-1945), praticado, ainda que por um curto período, na África, na América Latina, num pequeno território da Ásia e, finalmente, na própria Europa, entendendo que tais experimentos prefiguraram a ditadura nacionalsocialista, sua mentalidade, seus ódios e sua violência.

Não o faz, contudo, por meio de documentos de uma história política convencional, mas sim a partir de textos literários que difundiram, no cotidiano  das pessoas comuns, gradativamente, o senso de superioridade do homem branco, a filantropia não solicitada e o racismo.

Temos, neste livro, imagens elaboradas sobre o outro, desde uma perspectiva eurocêntrica, por autores como Karl May, Carl Peters, Balder Olden e Alfred Döblin.

De uma sensibilidade a outra, do eu individual ao eu coletivo, da frustração à extrema exaltação, a autora nos revela, a despeito das diferenças entre os gêneros literários, o moldar da arrogância e a tirania da virtude.

Editora da EDUFU, 2010

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