O furor das raízes

 
Curitiba, outubro de 2013

arvore pior

     O piche cospe as raízes e a ventania as arranca para fora da vida. A terra      avermelhada, num esforço insano, tenta protegê-las e acaba indo com elas.
Não se pode punir a tempestade de outubro, cuja pressa leva à derrubada de tantas árvores. Mas a feiúra delas já estava conjugada à impossibilidade da frondosidade conviver com a fiação elétrica que as interrompe. Os homens vão podando os ramos como escultores que moldam, às avessas, uma pedra, de maneira a ceder espaço para fios pesados e emaranhados . A árvore enverga e desenha, à noite, uma aparência esquelética que imita o “ars moriendi”.
Às vezes, lembram-nos a triste mão soberana do maestro João Carlos Martins.

Quanto mais os fios invadem e se unem, mais folhas se acanham e ficam menores e pálidas. Pelo vento, sua mãe violentamente tomba, do lado  mais pesado. Bate duro no chão, não há cães, não há gatos, não há transeuntes, a chuva a deixou sozinha com seu destino urbanita.
Na TV, o dano causado ao automóvel.

 Curitiba, outubro de 2013

 

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