Se algum pesquisador do Paraná me ler…

Se algum pesquisador do Paraná me ler…
Às vezes fico pensando que Helena Colody, Paulo Leminski, Glacy Zankan e Freire Maia, dentre tantos outros, pertencem ao Paraná real. Nomes sem fama, sem projetos e sem preparo (nomeiem segundo seu juízo e memória), são do Paraná legal.
Mais problemas dificultam os pesquisadores do Paraná que têm financiamento em nossa FAP – vejam nas página da UFPR de hoje, (27/10) NOTA DE ESCLARECIMENTO.
Logo logo escreverei neste blog sobre minhas próprias dificuldades, estou tentando escrever algo mais detalhado, falta-me tempo e serenidade, pois estou sempre às voltas com a necessidade de preencher formulários ao invés de fazer pesquisa – pesquisa que deve ser vista como estorvo para quem me manda preencher formulários. A propósito, um dia um colega da administração me interpelou dizendo: não sei porque as pessoas das Humanidades precisam de tantos periódicos…! (patético ou surreal?
Até quando veremos tantas universidades avançarem enquanto somos impedidos de utilizar recursos que por lei são destinados à Ciência e Tecnologia? Até quando não obstante nossos esforços, sentir-nos-emos humilhados pela elevação dos conceitos de instituições de outros estados, como se fôssemos improdutivos ou incompetentes? Não são poucos os colegas que, apesar do mérito, desistiram de solicitar financiamento, interromperam seus projetos ou tiveram seus projetos aprovados e não puderam executá-lo.
Alguém já se perguntou para onde vai o recurso que, não obstante saia na propaganda do governo – e da própria UFPR como destinado à pesquisa, acaba sendo devolvido ao tesouro do estado por impedimentos técnicos com argumentos risíveis? Cito um exmplo. Pedi verbas para um evento, chegou depois do evento (apesar de exigirem que se fizesse publicidade do governo, o que se confecciona 30 ou 40 dias antes) e depois recebi um aviso: OS RECURSOS ESTÃO TERMINANTEMENTE PROIBIDOS DE SEREM UTILIZADOS FORA DO PRAZO. E outras afirmativas insinuando que eu responderia judicialmente pelo erro. Que concepção de erro regra a vida cotidiana de quem assina isso? Em política não há erro: há omissão ou apoio, que aliás é a mesma coisa. Todavia, poderia haver oposição. O duro é não ter a quem se opor, pois as pessoas que nos dirigem parecem invisíveis, além de aparentemente ignorarem a finalidade de nosso trabalho.
Até quando nos conformaremos com explicações surdas de caráter burocrático (inclusive de nossos colegas que estão na administração da UFPR?) Finalmente, até quando aceitaremos este voto de desconfiança sobre a honestidade de nosso trabalho? São os cientistas os responsáveis pelo deficit público, ou ao contrário, com verbas as mais modestas, temos conseguido elevar o nível educacional e de pesquisa básica e aplicada deste país?
Basta ver as estatísticas da CAPES, instituição de inquestionável seriedade – e, sobretudo, com pessoal preparado para as suas funções.
O Paraná, há muito, deixou de ser uma província, isso a sociedade sente e vê. Parece que o estado não consegue acompanhar esta mudança, talvez até lamente por isso.

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