Sentimentos na História, por Euclides Marchi

A leitura da coletânea “Sentimentos na História” trouxe-me à lembrança as provocações de Lucien Febvre, sobretudo aquelas do início da proposta dos Analles, na qual ele valoriza a história dos pormenores em contraposição aos grandes fatos, registrados nos documentos oficiais. Uma história que estuda as relações do indivíduo com a sociedade, seus comportamentos, convicções, escolhas, analisando de forma sistematizada os sentimentos e os costumes. Indica, desta forma, que a história é essencialmente social, cientificamente elaborada a partir de problemáticas e métodos próprios. Nela, o homem com suas subjetividades e sociabilidades é o centro das preocupações. Assim, ao ler os textos que compõem esta coletânea, fiquei convencido de que Febvre apontara caminhos estimulantes para os historiadores que se debruçarem sobre o tema dos sentimentos na história.

Os autores dos textos desta coletânea, utilizando-se de diferentes metodologias e explorando temáticas diversificadas, conduzem o leitor pelos meandros da religião e das manifestações da pluralidade do eu e do outro, caminham com ele pelos espaços da política, confrontam-no com o amor, o ódio, a compaixão, a utopia, as identidades, fazem-no vivenciar os pertencimentos e as sociabilidades e, finalmente, em sua companhia adentram pelos sentimentos reais e simbólicos do corpo e dos mecanismos de manutenção de uma estética da beleza, dos sabores e dos prazeres.

Em “Sentimentos na História” os autores não se atêm apenas à análise de temas relevantes e, às vezes, esquecidos pela historiografia. Com suas pesquisas revelam os pormenores da vida em sociedade, a superação dos ‘lugares’ cristalizados e acabados e propõem  alternativas instigantes para se pensar os sentimentos e os (re) sentimentos como componentes das ações dos homens na história.

Por isso, além de teorizar sobre o conceito de sentimento, exploram a pluralidade das formas de sua manifestação e, desafiados pela polissemia do termo, fazem-no emergir nos seus múltiplos e diferentes sentidos. Percorrendo espaços sociais diversificados e enveredando por caminhos que indicam as alternativas de diálogo com a história, mostram que ele não se revelam de forma estática, mas se expressam nas possibilidades do novo, re-significado em cada tema e em cada pesquisa, dando-lhes sentidos outrora descartáveis. Desta forma, na sequência dos textos e superando as meras manifestações da subjetividade, os sentimentos emergem das sociabilidades e se reproduzem nas diferentes épocas e na etnohistória dos homens.

Comentários:

  1. nome disse:

    O texto está incompleto

  2. Marion Brepohl disse:

    agora é que eu vi > já fiz a correção, obrigada

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